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Internacional Protestos

Jovens chilenos, protagonistas dos protestos, mas afastados das urnas

Milhares de jovens participam ativamente das manifestações que tomam as ruas do Chile

25/10/2019 17h46
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Por: Redação
Foto: AFP
Foto: AFP

Milhares de jovens participam ativamente das manifestações que tomam as ruas do Chile. Estão à frente da maior convulsão social em décadas, mas este protagonismo contrasta com sua tímida participação nas eleições.

 

No último pleito, a maior parte dos jovens do país se absteve, com apenas 36,04% dos eleitores entre 20 e 24 anos, segundo o Serviço Eleitoral do Chile, indo às urnas em 2017, quando Sebastián Piñera, atual alvo dos protestos, conquistou o segundo mandato de presidente.

 

"A verdade é que não me sinto representado por algumas pessoas que concorreram à presidência e não concordo com o nosso sistema, por isso não votaria assim", disse Hector, de 25 anos, estudante de design de uma universidade particular.

 

Hector foi na quinta-feira com seus colegas à grande manifestação convocada na Praça Itália, no centro de Santiago, para protestar pelo quarto dia.

 

"Sou contra o sistema neoliberal imposto desde a ditadura (de Augusto Pinochet), que obriga nossos pais a trabalhar por horas e horas, sem ganhar nada", acrescenta.

 

Há uma semana, o Chile está mergulhado em uma convulsão social que começou com o aumento no preço da tarifa do metrô e, embora não incluísse a tarifa do estudante, foi esse setor que desencadeou os protestos que cresceram rapidamente incluindo demandas a favor da educação, saúde, aposentadoria e outros temas.

 

- "No momento não há ninguém" -

 

Felipe, um estudante de direito de 19 anos da Universidade do Chile, que também participa do protesto, faz uma pausa para tirar o lenço vermelho que usa sobre a boca e diz que acredita no caminho eleitoral, até milita na juventude do Partido Comunista, mas considera que não há movimentos políticos que canalizem as demandas.

 

"Existem movimentos feministas ou estudantis que não conseguem canalizar seus interesses no voto e se expressar de outras maneiras, como as redes sociais", diz.

 

Entre os jovens de 25 a 29 anos, a participação nas eleições de 2017 também foi baixa, com apenas 37,42% e uma abstenção de 62,58%. O desinteresse pelo processo eleitoral também está presente ente aqueles que acabaram de concluir o ensino médio, entre 18 e 19 anos, com apenas 35,99% de participação no último pleito.

 

Uma manifestante num protesto no centro de Santiago, em 24 de outubro. -  Foto: AFP

 

"Prometi a mim mesmo que, no momento em que acreditar em alguém e achar que esse alguém vai fazer coisas boas, vou apoiarei essa pessoa, mas no momento não há ninguém ", diz Esteban, cozinheiro, que tinha 28 anos na última eleição.

 

A baixa participação dos jovens já era uma realidade na época do voto obrigatório, medida derrubada em 2012.

 

Esse desinteresse está associado a diferentes causas.

 

"Normalmente eles não votam porque há um alto nível de desconfiança em relação às instituições públicas", afirmou María Tsekoura, acadêmica da Escola de Serviço Social da Universidade Católica.

 

Pesquisas mostram que os políticos têm uma aprovação muito baixa e os jovens "não conseguem se identificar com as propostas que saem dos partidos políticos e não conseguem ver como eles podem influenciar as políticas públicas através da participação em um partido", acrescentou o acadêmico.

 

Francisca Barrera, 28 anos, funcionária do setor imobiliário, diz que votou em Piñera, porque "foi o menos ruim", embora no meio dos protestos ela gritasse como muitos outros slogans contra o presidente, que venceu as eleições de dezembro de 2017 com 54% dos votos, superando o representante de centro-esquerda, Alejandro Guillier.

 

Nessa corrida eleitoral, Piñera obteve s melhor votação da direita desde 1993, inclusive superando a socialista Michelle Bachelet em 2013.

 

A euforia da juventude é palpável no ar. "El baile de los que sobran" ("A dança dos que sobram"), um sucesso da banda de rock chilena Los Prisioneros, tornou-se um hino dos protestos. A música pode ser ouvida perto da janela de um apartamento, cantarolada por um casal que anda de bicicleta ou em um coro numa praça central ao entardecer. Fonte: AFP

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