EDUCAÇÃO

‘Diário de Escola’: Adolescentes criam grupos para discutir feminismo nas escolas

Estudantes se reúnem em rodas de conversa e realizam uma série de ações para discutir assédio e outras situações constrangedoras.

09/10/2019 17h37
Por: Redação
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Estudantes discutem feminismo em escolas municipais — Foto: Reprodução/TV Globo
Estudantes discutem feminismo em escolas municipais — Foto: Reprodução/TV Globo

Alunos de duas escolas públicas em diferentes regiões de São Paulo têm em comum uma preocupação: discutir a igualdade de gênero. A escola municipal Sebastião Francisco O Negro, na Cidade Líder, Zona Leste da capital, e a Escola Técnica de Pirituba, na Zona Oeste, são palcos de grupos feministas que debatem temas como respeito, machismo e os direitos das mulheres.

 

A série Diário de Escola apresenta projetos que estão promovendo mudanças positivas em escolas públicas de São Paulo. Ideias para aprimorar o ensino de matemática, aumentar a participação da comunidade escolar na gestão das instituições, combater a evasão e a violência escolares, são alguns exemplos.

 

O coletivo feminista da escola municipal Sebastião Francisco O Negro foi criado em 2017 por jovens do 5º ao 9° ano do ensino fundamental. Eles sentiram a necessidade de um espaço para discutir situações de assédio que sofriam no trajeto entre suas casas e a escola.

 

“Eu comecei a ouvir muitos relatos das meninas sobre assédio no trajeto e, junto com outras professoras, a gente colheu esses relatos e começou a fazer alguns projetos. Um tempo depois, a gente decidiu criar um coletivo para tratar essas questões”, conta a professora Débora Regina Camasmie de Campos.

 

Os alunos se reúnem duas vezes por semana e, além das rodas de conversa, realizam também uma série de ações que ultrapassam os muros da escola.

 

“Quando eu entrei no coletivo, eu me sentia feia. Agora eu falo que eu sou linda, maravilhosa”, conta a aluna Graziele Barbosa, de 13 anos.

 

“Nós fazemos confecção de ‘lambes’ e colocamos frases para alertar as pessoas no entorno da escola. Também damos algumas palestras e montamos um varal com frases que mostram que aquelas roupas não justificam nenhum tipo de abuso”, disse a aluna Anne Lima Rocha, de 14 anos.

 

Elas são adolescentes, mas já sentem os reflexos de uma sociedade machista e desigual.

 

“Eu já ouvi que eu era gata demais para andar sozinha na rua sem um homem. Eu espero que as pessoas entendam que a gente não é diferente de ninguém e que a gente pode ter os mesmos direitos, as mesmas funções de um homem. E, que a gente não está aqui só para servir. A gente está aqui para ser uma pessoa digna de respeito”, conta Laisla Alexandra, também de 14 anos.

 

“A gente não quer ver mais mulheres morrendo, mulheres sendo agredidas, a gente não quer ver homens tomando atitudes para mostrar que é homem. E, muito menos meninas odiando meninas por causa de meninos”, reforça Anne.

 

Na Etec Pirituba, o projeto começou com o Plano de Menina em 2017. Mas, os próprios meninos perceberam que também precisavam debater o tema e foi criado então o Plano de Menino.

 

“A gente começou a pensar: o que tem de construtivo falar com as meninas e excluir os meninos? Como a gente vai empoderar as meninas tirando os meninos da conversa?”, conta Viviane Duarte, fundadora do Plano de Menina e de Menino.

 

“Eu mudei demais. Deu para ver principalmente a minha irmã e a minha mãe falando que eu estava mais compreensivo”, disse o aluno Lucas Ramos.

 

Para o aluno Juan Dutra, o projeto é importante para os meninos que procuram evolução. “É importante para aqueles que procuram não se fechar em uma sociedade de um masculino tóxico, aquela que fala que você não pode chorar, não pode usar rosa, não pode pintar as unhas porque são coisas de menina”, diz.

 

Os encontros acontecem quinzenalmente no horário de almoço e têm o objetivo de desenvolver nos alunos atitudes e habilidades importantes para um mundo em constante transformação.

 

“Espero que a gente possa mudar, possa transformar outras pessoas, outros homens, outros meninos, e a sociedade em si, para melhorar esse mundo que hoje está fogo”, conclui o aluno Daniel Crevelanti de Melo. Fonte: G1

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