Política

Presidente da Câmara vai anunciar inquérito de impeachment contra Trump, dizem jornais

Pelosi declara que 'já tem os fatos' e 'está pronta' para uma ação após denúncias de que presidente pressionou Ucrânia para que investigasse o ex-vice Joe Biden

24/09/2019 17h24
Por: Redação
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Foto: Andrew Caballero
Foto: Andrew Caballero

NOVA YORK — A presidente da Câmara, Nancy Pelosi , sinalizou que pode anunciar ainda nesta terça-feira a abertura de um inquérito formal de impeachment contra o presidente Donald Trump, por causa das denúncias de que ele teria pressionado a Ucrânia para investigar o ex-vice-presidente Joe Biden , um possível adversário nas eleições do ano que vem.

 

— Por isso disse, mais cedo, que assim que tivéssemos os fatos estaríamos prontos. Agora temos os fatos, estamos prontos — afirmou a democrata durante uma palestra em Washington.

 

Apesar de não sinalizar diretamente um inquérito, fontes ouvidas pela CNBC e pelo jornal Washington Post dizem que ele deve ser confirmado por volta das 6 da tarde, horário de Brasília.

 

Pelosi ainda disse que era “ evidente ” que o pedido de Trump violou as regras.

 

— Nós não pedimos a governos estrangeiros que nos ajudem em nossas eleições.

 

Na semana passada, o Washington Post revelou que o presidente teria conversado com um líder estrangeiro, inicialmente não identificado, e feito uma “promessa preocupante”. Na mesma semana, o Wall Street Journal  publicou que a Casa Branca teria pressionado de forma intensa o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky , para que investigasse os negócios da família de Biden — pré-candidato democrata à eleição presidencial pelo Partido Democrata — no setor de gás da Ucrânia e suas ligações com um oligarca do setor. A sugestão era para que Zelensky trabalhasse em com o advogado de Trump, Rudolph Giuliani. O ex-prefeito de Nova York inclusive já admitiu ter falado com autoridades ucranianas para que dessem início ao processo.

 

Segundo pessoas próximas a Trump, ouvidas pelo Washington Post, o presidente teria, como forma de pressionar Zelensky, atrasou a liberação de ajuda militar de US$ 250 milhões , aprovado pelo Congresso mas bloqueado pela Presidência, por motivos nunca explicados, no fim de agosto. O dinheiro foi liberado semanas depois.

 

Trump afirmou, inicialmente, que a denúncia não tinha qualquer base de verdade. Mais tarde, porém, reconheceu ter conversado com Zelensky, no dia 25 de julho , e mencionado Joe Biden , porém, nas palavras dele, sem fazer qualquer tipo de pressão. Nesta terça-feira, ele se comprometeu a liberar na íntegra o conteúdo da conversa com o presidente ucraniano.

 

Segundo o Wall Street Journal , a investigação supostamente pedida por Trump tem como foco um suposto abuso de autoridade cometido por Biden, que teria exigido a demissão de um promotor ucraniano que investigava uma empresa na qual trabalha seu filho, quando ainda estava na Vice-Presidência. Na época, ele teria ameaçado suspender US$ 1 bilhão em ajuda aos ucranianos caso não fosse atendido, mas negou que a pressão fosse relacionada ao seu filho.

 

Pressão por denúncia

A denúncia sobre os atos de Trump foi feita por um agente do serviço de inteligência, que estava encarregado de ouvir as conversas do presidente por conta de sua função. Diante do que considerou ser um teor impróprio, ele fez uma queixa através dos canais disponíveis.

 

O caso subiu de tom quando o corregedor geral da comunidade de inteligência, Michael Atkinson, determinou que a queixa era confiável, e a remeteu para o diretor da Inteligência Nacional, Joseph Maguire , que, por sua vez, deveria enviá-la na íntegra para a Comissão de Inteligência da Câmara, o que não foi feito até agora.

 

No domingo, a presidente da casa, Nancy Pelosi , chegou a mandar uma carta para que Maguire liberasse o conteúdo da denúncia até quinta-feira, quando ele participa de audiência na Comissão.

 

A denúncia potencialmente perigosa para Trump fez com que democratas até então reticentes a defender um processo de impeachment considerassem a ideia. Um deles foi o líder do partido na Comissão de Inteligência da Câmara, Adam Schiff , que afirmou no domingo que, se as denúncias forem confirmadas, “então esse deve ser o único remédio [impeachment] para equalizar o mal que essa conduta representa”.

 

Como é o processo de impeachment nos EUA

 

DENÚNCIA

A Comissão Judiciária da Câmara acolhe um ou mais pedidos

internos ou externos e começa a investigar

 

AUDIÊNCIAS

Testemunhas são ouvidas e provas são colhidas pelas comissões

responsáveis antes de uma eventual aprovação do avanço do processo

 

NA CÂMARA

Se aprovada, a moção é debatida e levada a voto, que

avança se houver maioria simples

 

INDICIAMENTO

A aprovação do impeachment pela Câmara funciona, na prática,

como um indiciamento formal

 

JULGAMENTO PELO SENADO

O Senado debate como um júri e leva a moção a voto

 

DESTITUIÇÃO

O presidente acaba destituído se dois terços dos senadores aprovarem a

moção de impeachment. Ele pode ainda ficar inelegíve

 

POSSÍVEIS ACUSAÇÕES CRIMINAIS

Fora do cargo, o agora ex-presidente pode ser indiciado na

Justiça por crimes ainda mais graves

 

Até agora, os oposicionistas consideravam um erro político abrir um processo do tipo na Câmara, apesar de terem maioria para isso. O primeiro ponto é prático: mesmo que passe pela casa, o processo teria chances quase nulas de prosperar no Senado, comandado pelos republicanos. O outro ponto é político: as eleições acontecem em pouco mais de um ano, e um julgamento poderia incendiar a base de Trump, que provavelmente será candidato à reeleição, enquanto os democratas ainda teriam que escolher o seu candidato em meio aos mais de vinte nomes na disputa hoje. Agora, podem se ver obrigados a abrir um processo de impeachment, queiram eles ou não. Fonte  O Globo

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