Brumadinho - MG

Documentos falsos foram usados para atestar segurança de barragem

PF indiciou sete funcionários da Vale e seis da Tüv Süd, que sabiam dos riscos de rompimento na barragem de Brumadinho que causou 270 mortes

20/09/2019 12h56Atualizado há 1 mês
Por: Redação
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Bombeiros resgatam mulher que ficou submersa na lama - Foto: Reprodução
Bombeiros resgatam mulher que ficou submersa na lama - Foto: Reprodução

Funcionários da Vale e da empresa de consultoria alemã Tüv Sud sabiam do risco de rompimento da barragem B1, em Brumadinho, e mesmo assim atestaram a estabilidade da estrutura por meio de documentos falsos. Em 25 de janeiro deste ano, a barragem se rompeu e 270 pessoas morreram. 

 

A Polícia Federal indiciou, nesta sexta-feira (20), 13 funcionários, além das duas empresas por crimes de falso. A PF decidiu desmembrar o inquérito porque já tem elementos para pedir a condenação dessas pessoas por falsificação e uso de documentos falsos. Dessa forma, as investigações sobre crimes contra a vida e ao meio ambiente ainda seguem.

 

O crime de falsificação e uso de documentos falsos foi cometido três vezes, uma em junho de 2018, quando a Tüv Süd elaborou relatório e o inseriu no sistema da ANM (Agência Nacional de Mineração), e outras duas vezes em setembro do mesmo ano, quando, a consultora alemã entregou o documento de inspeção regular da barragem à ANM e à Feam (Fundação Estadual do Meio Ambiente). As penas, somadas, podem chegar a 27 anos.

 

 

Funcionários sabiam do risco

 

Segundo o delegado da Polícia Federal Luiz Augusto Pessoa Nogueira,todos os 13 indiciados tinham conhecimento das falhas e potencial de risco na barragem que se rompeu em 25 de janeiro e deixou 270 vítimas.

 

— Nós temos depoimentos, documentos de reuniões que eles participavam, de paineis de especialistas, conversas de e-mails em que eles sentem dificuldade em atestar, dizem que a barragem não vai conseguir passar. E mesmo assim eles atestaram. 

 

As investigações apontaram, ainda, que a Tüv Süd assumiu o contrato com a Vale depois que duas outras consultorias se negaram a atestar a estabilidade da barragem da mina Córrego do Feijão, em Brumadinho. O delegado ainda apontou que em pouco mais de um ano, a empresa alemã fechou cinco contratos com a Vale no valor de R$ 6,4 milhões e tinha interesse em assinar o laudo de segurança da barragem para continuar prestando serviços para a empresa.

 

— A Tüv Süd, de certa maneira, forçou a barra para assinar a Declaração de Condição de Estabilidade porque ela não queria criar nenhum tipo de conflito ou resistência para novos contratos com a Vale. 

 

Outro lado

 

A reportagem entrou em contato com as duas empresas sobre o indiciamento de seus funcionários pela Polícia Federal. Por meio de sua assessoria de imprensa, a Tüv Süd disse que não iria comentar.

 

Já a Vale disse que tomou conhecimento nesta sexta-feira (20) sobre o inteiro teor do relatório e que vai avaliar o texto antes de se manifestar. Segundo "a mineradora, a empresa e seus empregados continuarão contribuindo com as autoridades e responderão às acusações no momento e ambiente oportunos". Fonte: R7

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